Puñado 8: Últimas horas de Catarse + Evento no final de semana
Detalhes da revista, reflexões sobre a campanha e o convite para fazermos um zine juntos (em serigrafia metálica!)
Olá, pessoal, como estão nessa quinta-feirinha gelada?
Por aqui, chegamos hoje ao último dia da campanha da revista Puñado no Catarse. Para quem não conhece, o Catarse é uma plataforma de financiamento coletivo bastante utilizada para a viabilização de projetos editoriais e de outros tipos.
Antes dessa, não lançávamos uma edição da Puñado desde 2021 (a sétima, tema “Instinto” > a de capa vermelha, abaixo).
Conforme a Puñado 8 foi ganhando corpo, decidimos que iríamos montar uma campanha no Catarse para ela – considerando, sobretudo, a possibilidade que a plataforma oferece de o trabalho alcançar mais gente, inclusive pessoas que ainda não conhecem a revista ou mesmo a editora.
Para movimentar a coisa, elaboramos oito combos distintos, cada um com seus descontos e brindes atrelados. Nos inspiramos no tema da vez – “No escuro” – e fizemos itens como: um ímã que brilha no escuro, monóculos que mostram as figuras multipatópodes da edição, um postal-raspadinha e um marcador de páginas vazado em formato de 8.
Além desses objetos especialmente confeccionados, alguns dos combos incluíram itens como o soturno e muy carismático Encostinho Noir (boneco criado pelo artista e zineiro Márcio Sno), marcadores de página de outras obras da Incompleta e as nossas publicações em si – inclusive a novidade Um búfalo na areia, de Paloma Franca Amorim (Substack dela: Paloma).
Sentimos que a campanha de agora foi diferente da anterior, talvez porque muitas coisas não sejam as mesmas de cinco ano atrás: nem o Catarse (e o tipo de projeto que mais tem repercutido na plataforma), nem os leitores, nem a forma como esses leitores encaram um financiamento coletivo, nem a Incompleta, e… enfim, nem o mundo ;) . Em 2021, pareceu um pouco mais “fácil” cativar um público interessado no nosso trabalho com as contistas latino-americanas e caribenhas. Ainda assim, a campanha atual (que, neste instante, está com 98% da meta alcançada e terminará cerca de 7 horas depois de eu digitar essas linhas) trouxe uma série de alegrias e ensinamentos:
Conseguimos chegar a leitores de quase todos os estados brasileiros; tivemos o prazer de ver muitas pessoas, sobretudo desconhecidas, divulgando e incentivando a leitura da revista; nos emocionamos com o suporte, de diferentes formas, dado por três livrarias parceiras: Banca Tatuí, Livraria Candeeiro e Mandarina; por necessidade, reativamos de forma mais intensa cada rede social da Incompleta, tentando aproveitar melhor suas especificidades linguísticas; relembramos o processo da Puñado anterior e as pessoas de quem estávamos mais próximas naquele 2021 (e, com isso, matamos as saudades possíveis); refletimos um bocado sobre a forma significativa como a comunicação on-line mudou nos últimos anos; e por aí vai.
Em parte, acreditamos que essa mudança na comunicação digital se deve a um tema já bem problematizado: a nossa perda de atenção como fenômeno social. A perda da nossa capacidade de reter a atenção – e, como extensão disso, a mudança no tipo e perfil de conteúdo para onde temos destinado a atenção que resta.

Assim, o rolê do último mês com o Catarse nos mostrou algo que até já sabíamos, mas se escancarou mais: que ainda não encontramos a forma ideal de chegar a um número consideravelmente maior de potenciais leitores para a Incompleta (no caso da Puñado, interessados em literatura contemporânea, América Latina, contos, entrevistas e processos de escrita, iniciativas feministas etc), basicamente porque essa forma ideal não existe, e caminhos novos precisam ser testados o tempo todo, com o mesmo afinco que colocamos para fazer as publicações em si. (A divulgação não é, digamos, a parte mais entusiasmante para a maioria de nós que gostamos de fazer livros, mas é uma parte indissociável do ofício e, quando a tentativa de chegar às pessoas dá certo, emociona demais - - aceitamos dicas, se tiverem).
Mas bom, acabei me estendendo no que era para ter sido um pequeno prólogo, então vamos a ela de uma vez, a querida Puñado 8, antes que eu me disperse e o relógio da campanha apite:
Essa é a maior edição da revista que já fizemos, tanto em número de páginas (344), como de autoras (17), textos (22), entrevistadoras (14), tradutoras (19) e países contemplados (15).
Os contos são de Alake Pilgrim (Trindade e Tobago), Angela Barry (Bermudas), Gaiutra Bahadur (Guiana/Índia), Helen Klonaris (Bahamas/Grécia), Holly Edgell (Belize), Jacinta Escudos (El Salvador), Karla Sterloff (Costa Rica), Katya Adaui (Peru), Lina María Parra Ochoa (Colômbia), Lucía Calderas (México), Melanie Márquez Adams (Equador), Paloma Franca Amorim (Brasil), Quya Reyna (Bolívia), Tamara Silva Bernaschina (Uruguai) e Yosa Vidal – esta última, junto a ilustrações de seu tio Luis Vidal (ambos chilenos).
Temos, ainda, um poema de Elisa Diáz Castelo (México) e fotografias de Muriel Hasbun (El Salvador).
Como diz o editorial (sempre a última coisa a ser feita, nos 45’ do segundo tempo), com essas obras “[…] vamos da espreita e do mistério a breus metafóricos; do trauma e do medo ao seu oposto ansiado: a possibilidade de um clarão. Temos uma viajante que se torna homem num instante e um polvo endeusado que apaga as luzes quando lhe convém. Não por coincidência, temos alguns migrantes também – talvez uma das situações mais ‘no escuro’ que se possa viver. E temos crianças. Doloridos. Culpados. Véus manchados, barca furada, caturritas, humor.
Desta vez, queremos ainda sugerir algo diferente: que o tema da revista se estenda para além do caráter curatorial, operando como uma proposta de navegação pelas páginas, de maneira, digamos... mais lúdica, e que deságua num encontro de vulcões. Com esta edição bi-capa – ou, como chamamos na intimidade, em referência às criaturas multipatópodes que povoam as páginas, bi-cápede –, estimulamos que vocês se lancem aos contos ‘no escuro’. Que a leitura ocorra sem estar atrelada, de antemão, a um nome de autora ou país que antecipe algo; um material despido de apêndices e performance.”
// Para quem quiser ler algo dos contos, temos publicado diversos trechos deles aqui mesmo, nas notes do Substack.
// Para quem quiser conhecer melhor as participantes envolvidas, temos colocado seus retratos e biografias no Instagram.
// Habemus, ainda, uma playlist inspirada na edição, criada pelo Fábio Kawano, que você pode escutar aqui:
E por fim, mas nadíssima menos importante, fica aqui um CONVITE para o mundo de carne e osso:
No domingo, dia 28 de junho, temos um evento presencial para marcar e celebrar o lançamento da Puñado 8. Será das 15h às 19h, na Banca Tatuí, em São Paulo.
Para esse dia, preparamos uma atividade especialíssima e gratuita, com Florencia Lastreto (Uruguai) e Lina Ibañez (Colômbia). As duas artistas, que são os nomes por trás da La Bici Press, irão conduzir, ao longo da tarde, a impressão de 3 zines em serigrafia metálica, inspirados por textos e ilustrações da Puñado 8 – ali na hora mesmo, ao vivaço. ;)
Serão impressas e dobradas 18 unidades de cada zine, e todo mundo – de qualquer idade – pode participar e levar o seu!
Além disso, vai ter playlist latina rolando, quitutes nos bares, restaurantes e cafezinhos dos arredores, edições anteriores da Puñado à venda na Banca e, ao que tudo indica, SOL.
Nos vemos por lá?
Abraços com carinho,
Laura e Fernanda











